“ENTRAMOS NO RITMO DA FOLIA”: Fátima Bezerra relata primeiro encontro com Zé Maranhão em época de carnaval e detalha momentos do belo romance

 


Não sou tão boa de nomes e datas como Nosso Amor, que possuía memória invejável. Mas, salvo engano, foi no carnaval de 1971. A parada do momento era “Máscara Negra de Zé Keti”.

Quanto riso, oh quanta alegria!… e foi assim que tudo começou!
De repente, aquele homem charmoso e bonitão, com sapato ‘cavalo de aço’ e bigode de mariachis, olhou-me, profundamente, no meio do salão do Clube Cabo Branco, repleto de foliões. Lembrei dele. Meu pai advogara para o seu genitor, empresário e exportador de agave e algodão.
Eu o vira uma vez e fiquei com ele gravado na esfera dos sentimentos.
– Tem voado muito?. Perguntei .
Ele simplesmente pegou no meu braço e entramos no ritmo da folia. Que delícia, os carnavais de outrora! As famílias tradicionais se encontravam e surgiam os belos romances, como o nosso.
Romantismo esse que, com o tempo, fomos manifestando de outras formas: quando ele voltava de viagem, dava voo rasante sobre minha casa e eu corria para a praia, desenhando, com os pés firmes, enormes corações na areia.
Em outras oportunidades, ele ia ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes, antes do término das aulas e eu, com a ajuda das minhas amigas, pulava o muro para ir ao seu encontro. Geralmente, isso acontecia quando seu Benja Maranhão vinha a João Pessoa. Almoçávamos no Elite Bar e aquele senhor, sempre bem humorado com minha juventude vivaz, recomendava ao filho: “case com essa menina… ela é tão boinha!”
Esse elogio, embora comum ao seu linguajar – próprio de quem tinha a facilidade de querer bem -, era sucedido de um complemento que me encantava: “ela é linda, Zé!”
O tempo passou… e aquela garota se tornou sexagenária. O garboso moço, octagenário. Vidas vieram e outras se foram. Formamos uma lida família, com filhos, netos, genro. Foram-se pessoas importantes para nós, como meu sogro e meu pai. Essas lacunas passaram a fazer parte dos nossos assuntos e sentimentos. Mas, suportávamos, com o apoio e a presença um do outro.
E a vida era, com todos os imprevistos que podem tirar a alegria de um carnaval, feliz! completa!
De vez em quando, vivíamos a melodia momesca: vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval! E eu o beijava muito! Muito mesmo! já com receio de que, um dia, chegasse a quarta-feira de cinzas da minha vida… que acabou vindo numa segunda feira, dia 8 de fevereiro.
E, sem mais as suas fantasias, Colombina ficou chorando pelo amor do Arlequim, no meio da multidão.

Fonte: Fátima Bezerra


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Postado por: Revista Novo Perfil

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